Matraca discute “Violência, tráfico de drogas e educação de crianças e adolescentes”

Matraca discute “Violência, tráfico de drogas e educação de crianças e adolescentes”

A Agência de Notícias da Infância Matraca realizou na quarta-feira, 14 de junho, a roda de diálogos “Violência, tráfico de drogas e educação de crianças e adolescentes”, no auditório do Convento das Mercês, com o jornalista e escritor Nelson Melo. A roda é parte das atividades do projeto Comunicação, Mídia e Engajamento Social, que recebe apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (CEDCA-MA).

Nelson é autor do livro “Guerra urbana: morrendo pela vida loka”, em que une as suas experiências como pesquisador e jornalista policial para tratar do crime organizado no Maranhão. Para ele, facilitar a roda foi um prazer, na qual aprendeu e tentou passar um pouco da vivência, com a possibilidade de discutir essa relação entre a violência e o tráfico de drogas, e como é a situação das crianças e adolescentes nessa história.

Durante a roda, foram abordadas as várias influências do tráfico de drogas e da violência, cada vez mais crescente na vida das crianças e adolescentes, em especial, fatores como a ausência da escola, o modelo de educação não atrativo para essa faixa etária, as condições precárias e a falta de estrutura que contribuem para um desinteresse das crianças e adolescentes relativo à educação.

A psicóloga Huaina Ribeiro, que também trabalha na Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas), participou da roda e comentou que é positivo dialogar sobre essa temática e importante ter uma visão positiva. “É bom ouvir a fala das pessoas que mostra um caminho, com alternativas, porque crianças e adolescentes precisam ser cuidados a ponto de não estarem inseridos nesse contexto de tráfico de drogas e nem fora das escolas, coisas que têm uma ligação direta”, diz a psicóloga.

O modelo de organização do crime facilita a permanência dessa situação na sociedade, a lógica comercial e estrutura bem pensada, tendo em vista que a situação de vulnerabilidade social colabora com a ideia de que as facções criminosas e o tráfico de drogas são uma saída para aqueles que já têm seus direitos violados e não recebem do Estado condições suficientes para alternativas diferentes.

Para a estudante de Serviço Social, Márcia Nascimento, essas questões não podem passar despercebidas. “O evento é de suma importância porque essas discussões são da realidade que vivemos”, afirma. Márcia falou a respeito da negação dos direitos como uma das causas dos problemas citados, acrescentando que “nós não somos vistos, as necessidades mais básicas não são atendidas, o que culmina em dependência química, envolvimento com tráfico e até morte de crianças e adolescentes”.

 

Texto: Vilma Santos / Revisão: João Carlos Raposo

Foto: Lucas Fonseca