Histórias em quadrinhos podem ajudar no desenvolvimento infantil

Histórias em quadrinhos podem ajudar no desenvolvimento infantil

A Agência de Notícias da Infância Matraca promoveu na quinta-feira, dia 03 de agosto, uma roda de diálogos com o tema “A história em quadrinhos (HQs) como recurso para o desenvolvimento da leitura”. O evento faz parte do projeto “Comunicação, mídia e engajamento social”, apoiado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (CEDCA-MA), por meio do Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (FEDCA-MA).

A roda, conduzida por conta de Márcio Rodrigues, doutorando em História pela Universidade Federal do Pará – UFPA e pesquisador de histórias em quadrinhos como fonte histórica, contou com a presença de estudantes e profissionais de várias áreas, a exemplo de Pedagogia, como Cristiane Mendes, que usa os quadrinhos em um trabalho com crianças especiais e com problemas de aprendizagem, desenvolvido por ela.

A discussões abrangeram assuntos como o preconceito sofrido pelos quadrinhos ao longo do tempo nas escolas, por exemplo, que poderiam usá-lo como ferramenta de auxílio na aprendizagem, mas, segundo a experiência do próprio Márcio Rodrigues, para muitas pessoas, não são vistos com seriedade. “Na verdade, os quadrinhos podem, sim, tratar de temas sérios de forma séria sem perder o formato que têm normalmente”, afirma Márcio, que defende essa tese em suas pesquisas.

Iniciativas como a da estudante Cristiane Mendes ajuda a contrapor essa antiga realidade, demonstrando que hoje os quadrinhos são uma alternativa para os modelos tradicionais de ensino, incluindo o estímulo à leitura com essas revistas. “Com a roda de diálogos, me senti no meu mundo porque ainda tem um certo preconceito das pessoas de entender as HQs como expressão de linguagem, foi muito bom ouvir que o que fazemos é reconhecido e tem até estudos sobre isso”, completa a graduanda de pedagogia.

Outro aspecto importante abordado na roda foi o uso das histórias em quadrinhos para discutir temas políticos, representações de grupos minoritários, causas sociais, relações de gênero, racismo, violência, entre outras. Uma tendência existente já há um tempo no mundo das HQs, afinal, os quadrinhos não são neutros, expressam um ponto de vista, podem, inclusive, ser conservadores, em oposição ao caráter inovador comumente associado a eles.

Para Márcio, “facilitar a roda de conversa foi uma experiência interessante não apenas de troca, mas de construção de conhecimento. Achei bem legal ter contato com a forma como essa linguagem é percebida”. Ele falou ainda que o seu objeto de estudo é um universo rico de pesquisa e completou dizendo que “como estudioso, tenho também a função de construir elementos para que se percebam a importância cultural do mundo dos quadrinhos”.

A ideia principal é que a partir das discussões iniciadas na roda de diálogos, o debate continue com quem participou e passe adiante, já que as histórias em quadrinhos estimulam as crianças à leitura, ajudam na percepção de imagens, na sistematização de narrativas. Outro aspecto abordado e que também fica como intenção do bate-papo é que as pessoas interessadas nessa área não usem as HQs apenas como objeto de colecionador, mas que também seja empregado o trabalho de temáticas sociais e de incentivo à aprendizagem.

 

 

Texto: Vilma Santos

Foto: Millena Braz