25 de maio de 2017


Os caminhos para a educação integral

Claudia Costin *

Quando observamos as características da educação oferecida nos países mais bem colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), um dado chama a atenção: nenhum conta com apenas quatro ou cinco horas de aula. O processo de ensino-aprendizagem demanda tempo.

Por muito tempo se pensou em organizar a jornada escolar de tempo integral nas escolas públicas apenas como forma de atender às necessidades dos pais que trabalham ou ofertar às crianças mais pobres oportunidades de utilização do tempo livre com atividades como artes e esportes, que alunos de classe média recebem naturalmente de suas famílias. Os resultados do Brasil no Pisa nos obrigam a olhar com muita seriedade para os imensos desafios que ainda devem ser enfrentados se nos quisermos colocar não apenas entre as nações com economias forte, mas também entre as que têm chances de construir um futuro melhor para as novas gerações.

Esse olhar implica ir além das expectativas imediatas dos pais e oferecer mais que um espaço seguro ou oportunidades de diversificação de repertório das crianças. Envolve a consolidação do que é básico na educação: desenvolver a capacidade de leitura, interpretação e escrita, raciocínio matemático e o fomento de mentes investigativas. Para isso, além da oferta de mais tempo na escola, deve-se trabalhar com mais tempo significativo de ensino e enriquecimento de repertório. Ou seja, a escolha não é entre oficinas pós-escola ou mais aulas, ambas são importantes.

Ao buscar um salto na qualidade da educação carioca, a partir de 2009, tínhamos consciência de que se deve iniciar o processo de transformação pela definição do que se espera que as crianças aprendam. Isto é, não iniciamos o trabalho fixando metas de escolas em tempo integral, mas estabelecendo um currículo claro e instrumentos pedagógicos a ele associados. Prosseguimos o percurso investindo em duas peças-chave para a melhoria da aprendizagem: capacitação de professores e constituição de um sistema forte de reforço escolar. Com essas medidas conseguimos avançar muito no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e em avaliações externas de que os alunos do município participam.

Nas escolas em áreas conflagradas, onde crianças e jovens são mais vulneráveis, oferecemos uma modalidade de educação em tempo integral com oficinas após as aulas, com base no Mais Educação, iniciativa interessante oferecida pelo MEC. Nelas a escola pôde selecionar, com base em critérios próprios, um grupo de alunos que frequentaram oficinas de artes, esportes e reforço escolar. Para que tudo funcionasse bem um educador comunitário acompanhava as crianças nas oficinas e fazia a ponte entre estas e as atividades mais acadêmicas. Dado o sucesso da iniciativa, resolvemos estender essa forma de estruturação do tempo integral a mais escolas, em especial as com desempenho educacional mais fraco. Mas ainda não se tratava de educação integral para todos e com uma grade curricular de tempo integral.

Assim, embora essas escolas tenham apresentado desempenho melhor, percebemos que seria fundamental estender o tempo de aula reservado ao currículo básico para podermos, de fato, dar um salto na qualidade na educação. Projeto de lei proposto na Câmara Municipal abriu uma oportunidade nessa direção. Estabelecia o projeto a exigência de pôr toda a rede, progressivamente, em período integral. Numa rede formada por 1.074 escolas, essa progressividade fazia muito sentido. Além disso, o Rio, mais que outras cidades, vive um processo acelerado de transição demográfica, dado que o número médio de filhos por mulher caiu para 1,6. Assim, se construíssemos rapidamente o número de escolas necessárias para todos estudarem em tempo integral, em pouco tempo elas estariam ociosas.

Aprovada a proposta, elaboramos um plano diretor para pôr toda a rede em turno único de sete horas de aula para escolas que atendem do 1.º ao 6.º anos e de oito horas para as que têm alunos do 7.º ao 9.º, seguidas de oficinas de artes, esportes e reforço escolar. Nesse plano não previmos só obras e contratação de professores, mas identificamos para cada território a dinâmica demográfica prevista e quantas unidades de cada tipo de escola seriam necessárias, considerando a especialização dos prédios escolares por tipo de atendimento: espaços de desenvolvimento infantil, ensino fundamental I e II.

Mas não é suficiente pôr todas as escolas em tempo integral. A carreira do professor precisa ser adequada a essa realidade. Não faz sentido ter um professor dando aulas em três escolas diferentes, ou com uma carga horária de 16 horas, se os alunos ficam o dia todo na escola. A implantação da escola em tempo integral é um bom momento para fazer cada professor se dedicar integralmente a apenas uma delas, com mais tempo para o processo de ensino e para maior interação com os alunos. Assim, a partir do final de 2010 passamos a realizar concursos apenas para professores com carga horária de 40 horas. É um grande desafio de gestão definir o sequenciamento da construção de cada escola, da lotação de professores de 40 horas, do investimento em formação para assegurar um perfil mais voltado para a formação integral do aluno, que fica agora o dia todo no ambiente escolar, e para trabalhar melhor com parceiros da comunidade que integram as oficinas pós-escola.

Esse novo perfil também inclui elementos do que Edgard Morin chamou de religação dos saberes, a possibilidade de tornar o professor o mediador do processo de aprendizagem, e não mero fornecedor de aulas, dentro de sua especialidade. Um professor mais polivalente, especialista não numa área específica, e sim profundo conhecedor de como o aluno aprende.

Esses cuidados, integrados a uma política educacional não fragmentada, com definição clara do que se espera que a criança e o adolescente aprendam, podem estar no centro do processo do salto de qualidade que o Rio e o País precisam dar. Ainda falta muito, mas já dá para enxergar o caminho, que será longo e não sem percalços.

* Claudia Costin é Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

 fonte: www.estadao.com.br



Duplo luto

Marina Silva

A terrível tragédia em Santa Maria (RS) lança o país no luto. A negligência pode provocar horrores. De repente, tantos jovens universitários perdem suas vidas e centenas de famílias enfrentam o pior pesadelo. O Brasil chora e sabe que a juventude, a energia e a graça dessas pessoas farão falta na construção do futuro.

O luto de Santa Maria nos comove e faz questionar a ação do poder público para garantir a segurança nos lugares onde os jovens se divertem. É hora de responsabilizar a todos que, por força de seus cargos, devem prestar contas de seus atos e omissões.

O Brasil não tem sido uma “mãe gentil” para seus jovens. Se a fiscalização de uma casa noturna frequentada por milhares de estudantes é negligenciada, o que mais será? Talvez as escolas. Talvez os hospitais. Talvez tudo o mais.

O que dizer da tragédia cotidiana que atinge nossa juventude? O Mapa da Violência, levantamento feito anualmente sob a coordenação do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, com apoio do Instituto Sangari e do Ministério da Justiça, coloca o Brasil como um dos países mais violentos do mundo.

Nas duas últimas edições, o mapa focou as vítimas mais frequentes de morte violenta: jovens e negros. Se os números mostram um quadro triste, ao olhar para jovens e negros vê-se um cenário pior do que o de uma guerra.

Os dados de 2008 mostram que o Brasil tinha a incrível taxa de 26,4 homicídios a cada 100 mil habitantes e que, entre os jovens, esse número saltava para 52,9. O Estado campeão em violência contra os jovens era Alagoas (taxa de 125,3), seguido de Espírito Santo (120) e Pernambuco (106,1). A tragédia nos municípios campeões em violência são ainda mais impressionantes: Maceió (AL), com taxa de 251,4 homicídios de jovens a cada 100 mil habitantes; Serra (ES), com 245,8. Itabuna (BA), com 229,4. É uma carnificina.

Em 2010, a situação não havia melhorado. E o Mapa da Violência mostra que as taxas de homicídio no Brasil, inaceitáveis para todas as etnias, são inacreditáveis entre jovens e negros . São 28,3 jovens brancos mortos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens negros a taxa é de 72. A cidade campeã em homicídio de jovens negros é Simões Filho (BA), com 455,8 mortes por 100 mil habitantes, seguida de Ananindeua (PA), com 389,5. Lauro de Freitas (BA) tem 365 e Maceió (AL) tem 328,8.

A educação poderia salvar muitos jovens, modificar seu ambiente e realizar suas vocações. Mas o IBGE mostra que quase a metade (49,25%) dos brasileiros com mais de 25 anos não terminou o ensino fundamental e que 19,5% das pessoas com idade entre 18 e 25 anos, mais de 5,3 milhões de brasileiros, não estuda nem trabalha.

Assim, o futuro fica comprometido. Choremos por Santa Maria. Choremos pelo Brasil.

fonte: www.folha.com.br



Galeria Trapiche oferece oficinas e marca presença no carnaval

oficina galeria trapiche

A Galeria Trapiche Santo Ângelo se encontra, atualmente, vinculada à Fundação Municipal de Cultura – FUNC, e é responsável pela realização do Salão de Artes Visuais de São Luís. Mesmo ainda não contando com recursos, em face da situação caótica deixada pela antiga administração da Func, a galeria se adianta e já está oferecendo à comunidade duas oficinas, uma de cerâmica à mão livre, e outra de confecção de máscaras de carnaval. Através de parceria firmada com a União de Moradores do Centro Histórico de São Luís, visando a realização conjunta de ações culturais envolvendo o espaço da galeria de arte e a comunidade dos bairros da Praia Grande, Desterro e Portinho, as oficinas serão gratuitas e destinadas a crianças e a jovens.

Segundo o presidente da União de Moradores, Denis Cutrim, “esta é a primeira vez que fomos convidados para participar de atividade cultural desta galeria, e acho isso muito importante; a iniciativa é positiva, e iremos colaborar no que for possível para que esta parceria se consolide”. Na última sexta-feira à tarde, dia 25, foi oferecida pela Galeria Trapiche, gratuitamente, uma oficina de cerâmica à mão livre, ministrada pelo artista plástico Wiran de Oliveira, a crianças especiais, do Centro de Ensino Helena Antipoff, espaço que funciona desde 1982 e que atende alunos com necessidades educacionais a partir de 15 anos de idade, oriundos das classes especiais, que não se enquadram numa sala de aula regular. No Centro, os alunos exercitam a pré-profissionalização, por meio de oficinas pedagógicas, visando a inserção no mercado de trabalho, ampliando assim a possibilidade de inclusão social dos mesmos. O Centro de Ensino fica na rua Domingos Olímpio, qd S, no Ipase (fone: 32463908).

Na tarde de segunda-feira, dia 28 de janeiro, teve início a oficina de máscaras carnavalescas, à base de papel e balão. Serão confeccionadas máscaras tradicionais do carnaval maranhense, usadas, sobretudo, pelos fofões. “Vamos estimular a identidade cultural maranhense, trabalhando o imaginário desses jovens através do contato com as máscaras de personagens como o fofão, despertando nos jovens o sentimento de pertencimento cultural, sempre tendo em vista a inclusão social”, informa o diretor da Galeria Trapiche, o jornalista e escritor Paulo Melo Sousa.

A primeira oficina de confecção de máscaras será de 28 a 31 de janeiro, e a segunda, de 4 a 7 de fevereiro, das 14 às 17 horas. As inscrições para as oficinas, gratuitas, que serão ministradas pelos artistas plásticos Romana Maria e Wiran de Oliveira, podem ser feitas na Galeria de Arte Trapiche Santo Ângelo (avenida Vitorino Freire, s/nº – Praia Grande), que se localiza defronte do Circo da Cidade (montado ao lado do Terminal de Integração). Todos os contatos necessários à viabilidade da Galeria Trapiche podem e devem ser feitos, e nós iremos apoiar as iniciativas da galeria, já que se trata de uma unidade da Func que tem grande potencial junto aos artistas e à comunidade”, diz o presidente da FUNC, Francisco Gonçalves.

As oficinas têm o apoio de empresários que atuam na área do Centro Histórico de São Luís: Hotel Pousada Colonial, Natus Arts – Artesanato (Beco da Pacotilha, 37), Banca de Revistas Praia Grande (Dácio Borges), Turma do Vandico e Livraria Poeme-se.

Fonte: funcsl.wordpress.comt



Qual mal-entendido?

O casal, branco, queria comprar uma BMW no Rio; o gerente da loja, expulsar um menino negro de 7 anos. Era o filho deles.

Debora Diniz

“Em nenhum momento, ele olhou para o nosso filho.” Priscilla Celeste Munk é mãe de uma criança negra de sete anos. No catálogo racial brasileiro, ela é uma mulher branca. Sua branquidade se anuncia pela cor da pele, mas também pela classe social. Foi como uma mulher branca, acompanhada de seu marido também branco, Ronald Munk, que vivenciou o racismo contra seu filho adotivo em um dos templos do consumo de luxo no país – uma concessionária de carros BMW no Rio de Janeiro. A cena foi prosaica: a família foi à concessionária e o filho se entreteve com uma televisão. O gerente os atendeu como um casal desacompanhado. Quando a criança se aproximou, a cor de sua pele resumiu a impertinência de sua presença em um lugar onde somente brancos e ricos seriam bem-vindos. Sem se dirigir ao casal, o gerente ordenou que a criança saísse da loja: “Você não pode ficar aqui dentro. Aqui não é lugar para você. Saia da loja. Eles pedem dinheiro e incomodam os clientes”.

Imagino que o monólogo do gerente com a criança sem nome nem rosto, mas rejeitada pela cor, tenha sido adequadamente reproduzido pela mãe. A combinação entre um “você” que olha, mas ignora a criança, e um abstrato “eles”, que não olha, mas registra a desigualdade, é poderosa para resumir a racialização de classe da sociedade brasileira. Em poucas palavras, o gerente oscilou entre dois universos, ambos movidos pela mesma inquietação moral: como proteger os ricos dos pobres, os brancos dos negros. O gerente não cogitou estar diante de uma família multirracial, mas de clientes brancos e de um menino negro pedinte que perturbaria a tranquilidade do consumo.

Até aqui, não haveria nada de novo para a realidade da desigualdade social que organiza o espaço do consumo – engana-se quem pensa que os shoppings centers são locais de livre trânsito: as regras sobre como se vestir e se portar não permitem que todos igualmente ali transitem. A impertinência do caso é, exatamente, estremecer essa ordem silenciosa da desigualdade racial e de classe da sociedade brasileira. Por isso, com a devida sensibilidade do capitalismo global, a concessionária da BMW optou por descrever o caso como um “mal-entendido”.

“Preconceito racial não é mal-entendido”, disse a família em uma campanha aberta sobre o caso, porém com cautela sobre a identidade do filho que se vê resumido à cor. Não tenho dúvidas de que esse é um caso de discriminação racial – a cor da pele importa para o reconhecimento do outro como um semelhante. É isso que chamamos racismo: descrição do outro como um dessemelhante e abjeto pela cor de seu corpo. A criança de 7 anos, antes mesmo de entender o sentido político do racismo na cena vivida, foi alvo de uma rejeição que resume sua existência. Assim será sua vida. O consolo familiar é que o garoto redescreveu para si que “crianças não eram bem-vindas à loja” e não se personalizou na rejeição pelo corpo. A ingenuidade infantil em breve será vencida pela observação cotidiana de práticas racistas. Com a perda da ingenuidade, a criança sem nome e com somente cor encontrará outro grupo para traduzir sua experiência de sentir-se abjeta – não será mais porque é uma criança em um ambiente de adultos, mas um adolescente, um homem ou um velho negro em um mundo cuja ordem do consumo e da lei é, ainda, branca.

Por isso, desejo explorar o argumento do “mal-entendido” para além de uma estratégia infeliz de marketing. De fato, há um mal-entendido ético que costurou o roteiro desse desencontro racial. Para ser reconhecido como um futuro adulto rico e potencial amigo da concessionária para a compra de carros de luxo, o garoto de 7 anos precisaria habitar um corpo inteligível para a casta dos ricos. Sua cor o torna um sujeito inimaginável. Para ser reconhecido, é preciso antes ser inteligível à ordem dominante.

Crianças negras são ainda invisíveis ao universo do consumo, o que pode parecer óbvio dada a sobreposição da desigualdade de classe à desigualdade racial no País: negros são mais pobres que brancos, um fato que alimenta intermináveis controvérsias sobre as causas da desigualdade, se seriam elas de renda ou raciais. A verdade é que as crianças negras não são invisíveis apenas na concessionária da BMW, mas em escolas, hospitais ou espaços de lazer, isto é, como futuros cidadãos à espera da proteção de uma sociedade que se define como livre do racismo.

Como em um experimento sociológico, o caso da família multirracial mostrou que a renda não é capaz de silenciar a rejeição racial: a criança se converteu em um ser abstrato, parte de uma massa de pedintes que incomodam os clientes ricos. Ao contrário do que imagina a loja da BMW, o mal-entendido não se resumiu ao diálogo entre o gerente e a família, mas entre quem imaginamos que somos como uma democracia racial e o que efetivamente fazemos com nossa diversidade racial.

* Debora Diniz é antropóloga, professora da Universidade de Brasília e pesquisadora da ANIS – Instituto de Bioética, Direitos humanos e Gênero

fonte: www.estadao.com.br



Relatório da SIT e OIT destaca fiscalização do trabalho infantil

No final de janeiro, a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançaram o relatório “As boas práticas da inspeção do trabalho no Brasil”. O documento, que aborda as diretrizes e mecanismos de fiscalização das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego, reúne as experiências adquiridas nas práticas de inspeção com o objetivo de promover o trabalho decente e o fim do trabalho escravo e infantil no país.

No que diz respeito ao trabalho de meninas e meninos, a seção do relatório “A prevenção e a erradicação do trabalho infantil” chama a atenção para o Sistema de Informações sobre Focos do Trabalho Infantil (SITI), plataforma que deu agilidade às atividades dos fiscais e permitiu que a sociedade tivesse acesso às estatísticas. Além disso, o documento destaca a prioridade de atendimento para denúncias de trabalho infantojuvenil e a prioridade absoluta para o combate de suas piores formas.

Para o coordenador nacional do Programa para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC, pela sigla em inglês) da OIT, Renato Mendes, o esforço e a contribuição da Secretaria de Inspeção do Trabalho têm sido fundamentais para coibir a prática. “Foi com a inspeção do trabalho no setor formal que foi possível eliminar o trabalho infantil na cadeia produtiva do calçado, do suco de laranja, da cana de açúcar. Hoje dificilmente vamos encontrar uma criança trabalhando nesses ramos”.

Segundo ele, é preciso investir mais para garantir o número necessário de auditores fiscais para cobrir toda a rede de fiscalização do trabalho, nos setores formal e informal da economia. “De acordo com as organizações internacionais, o País ainda não tem o número de fiscais necessários. Além disso, como em outros países, no Brasil a fiscalização do trabalho infantil é insuficiente com relação à demanda e à determinação de competência para a fiscalização de algumas de suas formas, como, por exemplo, no trabalho doméstico. Justamente porque isso acontece dentro das casas, as quais, por questões legais, os fiscais do trabalho não têm acesso”, afirma.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad, dados de 2009), 908 mil crianças de 5 a 13 anos trabalham no País. O Brasil se comprometeu a eliminar até 2016 todas as piores formas de trabalho infantil e eliminar todo o trabalho infantil até 2020. “É uma meta audaciosa, e por isso é necessária, nesse momento, uma reaceleração do combate ao trabalho infantil. Essa é a proposta da OIT não somente para o Brasil, mas para todo mundo e em especial para a América Latina. Seu desempenho no último relatório da OIT foi excelente, mas nos últimos quatro anos, apesar de ter diminuído o trabalho infantil, o combate perdeu aceleração. É preciso, nesse sentido, redobrar os esforços e as iniciativas de políticas públicas, especialmente relacionadas à educação e à eliminação da pobreza.”

Clique aqui para conhecer seção do relatório sobre trabalho infantil.
(Fonte: Portal Pró Menino)