Caminhada do 18 de maio convida a população para refletir sobre a violência

Caminhada do 18 de maio convida a população para refletir sobre a violência

Uma grande mobilização reuniu crianças, adolescentes, representantes de movimentos sociais, dos governos e da sociedade civil nesta quinta-feira, 18, no centro de São Luís, na caminhada do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Nem a chuva forte que caiu no início da tarde desanimou os participantes, que convidaram a população para uma reflexão sobre o tema.

Durante a concentração, em frente à Biblioteca Pública Benedito Leite (Praça Deodoro), representantes de entidades que trabalham no enfrentamento à violência deram ênfase à autoproteção de crianças e adolescentes contra o abuso e a exploração sexual, ressaltando a importância da denúncia e notificação dos casos de suspeita ou confirmação da violência sexual.

A passeata seguiu pela Rua Grande até a sede da Prefeitura de São Luís (Praça Pedro II), onde uma comissão entregou ao prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, um documento pedindo a implantação de políticas públicas para crianças e adolescentes.

A presidente do Fórum DCA, Maria Ribeiro, destacou que a maioria das crianças e adolescentes maranhenses vive às margens das políticas públicas. “Elas têm de se cuidar, mas também têm de ser protegidas”, observou.

A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Janicelma Fernandes, ressaltou que a caminhada não era para comemorar, e sim para mobilizar e chamar a atenção da população. “Não é normal que nossas crianças e adolescentes sejam vítimas de abuso, muitas vezes dentro da própria casa. É preciso denunciar”, afirmou

O coordenador executivo do CMDCA, Deílson Louzeiro, lembrou que mais de 2 mil ocorrências de crimes contra crianças e adolescentes são registradas por ano no Maranhão, segundo a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. “E infelizmente sabemos que 90 por cento dos agressores não são punidos. Temos de lutar contra esta impunidade”, ressaltou.

Data – Em 1973, Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, foi raptada, drogada, estuprada e morta  por jovens da elite do Espírito Santo, que foram absolvidos por seu crime. O corpo dela só foi encontrado seis dias depois do desaparecimento e estava carbonizado. O crime gerou uma onda de denúncias e protestos e culminou com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000, que instituiu o dia 18 de maio como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.